REPORTAGEM - Comércio Ético e Solidário no Brasil.

Galerinha!
Estou aqui para falar de um assunto que está super na moda hoje em dia. O Comércio Ético e Solidário no Brasil! Mas conhecido como "COMÉRCIO JUSTO".

Como sempre procuro saber a opinião das pessoas que atuam em meio empresarial que é aonde nosso assunto atua, fui entrevistar uma pessoa super bacana que alem de minha amiga é formada em Administração de Empresa, já trabalhou em uma das maiores empresas no Brasil e nos cedeu um tempo na sua agenda para essa entrevista.

Estou falando de; Michelle Medeiros Câmara - FORMADA EM ADMINSTRAÇÃO DE EMPRESA.

Perguntei a Michelle; - O que ela achava do assunto Comércio Ético e Solidário no Brasil em geral e o que esse beneficio trás para nossa sociedade?

Michelle: -
O Comércio Justo e Solidário é uma ideia criada, desenvolvida e colocada em prática com sucesso em 21 países, como África do Sul, Estados Unidos, Canadá e México. Esse sistema visa o fortalecimento dos empreendimentos económicos e solidários, rurais e urbanos, ou seja, uma ligação contínua e fidelizada entre o trabalhador, comprador e consumidor. Deixa claro que há abertura, transparência e co-responsabilidade nas relações comerciais e na tomada de decisão entre produtores, intermediários e consumidores (clientes). Está voltado para pagamento de preços justos e criação de oportunidades para produtores e comunidades melhorarem suas condições de vida e trabalho, e promovendo a sustentabilidade económica, social e ambiental através de relações comerciais estáveis e do uso de matérias-primas que não agridam a natureza.

Você apoia essa ideia, em relação ao que ela aborda dentro da sociedade?


Michelle: -
Se essa ideia dá certo em outros países, como a África do Sul, por que deixar de acreditar ou apoiar que poderá acontecer também no meu país, Brasil, com a mesma eficácia na qual vem se desenvolvendo em outros integrantes internacionais desse movimento? O Comércio Justo – Fair Trade vem a ser uma evolução de mercados. Trata-se de um conjunto de princípios, objetivos e formas de relações comerciais éticas e justas, podendo serem aplicadas nos mais diversos setores, sejam em produtos ou serviços, assegurando a qualidade. Também leva em conta o respeito e a preservação do meio ambiente (tão discutido atualmente) e a valorização nas relações comerciais da diversidade étnica e cultural e do conhecimento das comunidades tradicionais.



Você acha que esse assunto é só mais uma estatística do governo para tampar o verdadeiro problema com uma solução um pouco mais viável? (ou seja, tampar o sol com a peneira).

Michelle: - Não diria que seja tampar o sol com a peneira, mas um Comércio Menos Injusto. É trazer a melhoria das condições de vida dos pequenos produtores dos países marginalizados do hemisfério Sul (América Latina, Ásia e África), através do aumento do acesso ao mercado e da promoção de oportunidades de desenvolvimento para os mais desfavorecidos, criando possibilidade de emprego e renda para a população por meio da comercialização dos produtos, tanto no mercado interno como externo. Pode-se classificar como desfavorecidos agricultores familiares, que segundo o Ministério do Desenvolvimento Agrário são os produtores familiares tradicionais e assentados por programas de reforma agrária, extrativistas florestais, ribeirinhos, indígenas, quilombolas, pescadores artesanais, povos da floresta, seringueiros e outros públicos definidos como beneficiários de programas do referido ministério. “O atual Comércio Justo, que ainda é percebido e visto por muitos produtores, artesãos, pelos próprios consumidores e por mim (risos) como apenas um comércio ‘menos injusto”, somente alcançará as mudanças de postura e de processos a partir do esforço das empresas que se colocarem como pioneiras e como modelo do Comércio Justo no Brasil. No entanto, arriscaria dizer que este pode ser o caminho para: O Mundo do Bem (The World Of Good).

Se você fosse uma empresária, você abordaria em sua empresa essa ideia ética e solidária ou continuaria com a metodologia antiga?

Michelle: - Abordaria essa ideia. É claro que do mesmo modo que existem leis e regulamentações para as empresas envolvidas diretamente com o meio ambiente e ações positivas para as instituições de determinado porte, como as cotas para deficientes e menores aprendizes, o Comércio Justo, além de ser uma ação de responsabilidade social integrada ao foco da empresa, ou seja, ao comércio, o Fair Trade é uma prática que está se consolidando mundo afora devido à alta qualidade dos produtos certificados e à melhoria na imagem das empresas praticantes perante colaboradores, parceiros e principalmente clientes. Assim, não podemos comparar características como escala produtiva, eficiência operacional e preço no sentido dos ritmos de produção, prazos de entrega e pagamento com os praticados no mercado tradicional. Será um grande erro. Se eu tivesse uma empresa, poderia iniciar a prática do Comércio Justo adquirindo produtos provenientes desse movimento, por exemplo, e presentearia meus colaboradores e parceiros comerciais com brindes corporativos sociais e daria os próximos passos até esta modalidade de Comércio Justo fazer a minha cabeça como empresária e de toda a empresa.

Para terminar; Qual sua concepção nesse assunto e o que você acha de certo ou errado nele?

Michelle: - No meu modo de ver, o Sistema Brasileiro de Comercio Justo e Solidário já tem funcionado no Brasil mesmo antes do presidente Lula transformá-la em Lei (a Carta já foi assinada pelo Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, e está na Casa Civil para avaliação técnica – 29/01/2010). Atualmente há 25 cooperados com certificação, que exportam uma média de US$ 50 milhões por ano. O principal produto é o café.

A empresa Solidarium Comércio Ético e Justo, hoje comercializa produtos de periferias urbanas e comunidades rurais para a rede de supermercados Wal-Mart, além de possuir uma loja em um shopping Center de Curitiba, há a Mundaréu, sediada em São Paulo, que apoia e comercializa produtos de artesãos e produtores de todo país em sua loja, inaugurada em 2002. Esta parceria entre a Solidarium e a Wal-Mart através de venda e compra de produtos desenvolvidos por diversas comunidades brasileiras, como itens de decoração e design feitos artesanalmente em todas as regiões do país, faz com que haja o “comércio justo”. A prova disto é que a empresa Solidarium direcciona, no mínimo, 50% do valor de venda para quem confeccionou o produto.

Quanto ao certo e errado nesse assunto, não me prenderia a estas palavras. Mas, afirmo que é eficaz quando o conhecimento técnico (ou a falta dele) é utilizado pela empresa que se propõe a fazer o papel de intermediário para o produtor ou artesão na medida e que o processo de comercialização ocorre com frequência, este deve utilizar-se de transparência e do empoderamento para transferir este conhecimento técnico ao produtor e artesão, o informando para onde, por quanto, como, e por quanto tempo seu produto estará sendo vendido. Outra eficácia é o “consumo consciente”, no sentido de que pagar um pouco mais caro e com qualidade assegurada por um produto, terá a certeza de que este preço estará cobrindo o custo da mercadoria que o cliente quer comprar. Logo, o produtor receberá o preço justo por sua fabricação.

A ineficácia, por sua vez, é a lentidão que o governo leva para aprovar um projeto e transformá-lo em lei por decreto pelo presidente da república e que nem todos terão acesso a estes produtos do Comércio Justo, devido ao aumento do seu preço significativamente.


Essa foi mais um assunto no qual temos sempre interesse de ler!

Obrigado pela entrevista Michelle e obrigado a todos os leitores!


Diogo Costa.



2 comentários:

Unknown disse...

Oie pessoal!

Fiquei muito contente em poder contribuir com a entrevista sobre o tema: Comércio Ético e Solidário no Brasil. É uma introdução sobre um assunto tão importante e que já começou a aparecer no Brasil.
Um abraço para todos.

Anônimo disse...

Gostei muito da entrevista que a administradora Michelle Câmara concedeu a este blog, muito oportuna e esclarecedora, além de muita clareza em suas respostas.
Lídia